É proibida a caça a Pokémon nas salas de aula das Escolas públicas de Pernambuco. Isso inclui, pelo menos, as unidades de ensino das redes Estadual e Municipal do Recife, segundo notas divulgadas na tarde desta segunda-feira (8) (íntegra de cada uma delas no fim deste post). Por definição dos dois órgãos, com base na Legislação, o uso dos celulares só é permitido na aula quando para fins pedagógicos, o que não abarcaria o recém-lançado Pokémon GO.
No documento enviado à reportagem do MundoBit, a Secretaria de Educação do Estado afirma ter repassado às escolas a orientação de que conversem com os estudantes para alertar quanto “aos casos de acidente que vêm acontecendo em função deste jogo”. Já a gestão municipal informa que, apesar de já ter proibido o uso dentro das salas, ainda avalia o uso nos corredores e demais áreas internas das escolas para decidir se há necessidade de veto.
Muito pouco ainda se discute sobre o uso do game no ambiente escolar, mas alguns especialistas acreditam que há, sim, formas de aliar entretenimento e conhecimento neste caso. Pelo menos essa foi a conclusão a que chegaram os participantes do Hacker Club Pedagógico da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), realizado nesta segunda (8).
O espaço reuniu alunos da educação básica, graduandos, mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática e Tecnológica do Centro de Educação da UFPE, a Professora Celly Brito, integrante do Departamento de Ciências da Informação, onde leciona para a turma de Biblioteconomia a disciplina de Políticas de Informação e Cultura, o Professor André Neves, do Departamento de Artes e Comunicação, onde leciona a disciplina de Game Design, as Professoras Patricia Smith e Auxiliadora Padilha, respectivamente, coordenadora e vice-coordenadora da Conecte, setor de Educação a Distância e Inovação na Educação da UFPE, para um brainstorm sobre a presença do Pokémon GO nas unidades de ensino.

Professores de Pedagogia, Design e Biblioteconomia no Hacker Club da UFPE

Alunos da educação básica e da UFPE participam da discussão
“Escutamos jovens de dez a quinze anos e, para eles, é importante o fato de poderem jogar com os amigos, além da possibilidade de sair de casa e ir às ruas para interagir com outras pessoas. É importante que a escola se aproprie dos bens culturais e recursos que as crianças e os adolescentes valorizam. Precisamos usar isso a favor da aprendizagem dos alunos”, afirma a professora Auxiliadora Padilha.
Durante o debate, observou-se quatro tipos de comportamento valorizados pelo aplicativo: exploração, socialização, competição e colecionamento. Assim, os alunos, que antes exploravam o mundo de casa, através do computador, agora vão às ruas atrás dos pokéstops e ginásios, onde percebem monumentos e pontos turísticos, conversam e trocam informações, colecionam as criaturas e duelam.
“Na sala de aula não é necessário trabalhar só conteúdos conceituais e factuais, mas também atitudinais. Vemos que os alunos não precisam, necessariamente, competir entre si. Eles se ajudam e quando um Pokémon aparece, todos eles podem pegar. Não há uma competição para pegá-lo ou pegá-lo primeiro. O incenso e outros itens podem ser compartilhados. Da mesma forma que não podemos fazer com o celular e a internet, não podemos proibir o jogo porque dessa forma afastamos o aluno da escola”, explica a professora.
De acordo com a Legislação, o uso do aparelho celular na aula é permitido quando usado para fins pedagógicos. Por isso, Auxiliadora reforça: “Por que não aproveitar a motivação do aluno para esses temas e engajá-lo na aprendizagem?”.
ESCOLAS PRIVADAS - Entre as unidades privadas, também foram definidas regras para que os alunos não jogassem o Pokémon GO nas instalações do colégio. Na última sexta (5), o Colégio Agnes, localizado no bairro das Graças, Zona Norte da capital pernambucana, emitiu um comunicado aos pais avisando que os estudantes podem sofrer medidas disciplinares caso sejam pegos jogando. A reportagem tentou entrar em contato com a direção da escola, mas não obteve retorno.
SECRETARIA ESTADUAL - Na Rede Estadual, o uso de celulares só é permitido quando direcionado para fins pedagógicos. Ou seja, nenhum tipo de jogo que não tenha caráter pedagógico – inclusive Pokémon Go – está liberado nas escolas da Rede. No caso deste aplicativo especificamente, a orientação que vem sendo dada é que as escolas conversem com seus estudantes, com foco nos casos de acidente que vem acontecendo em função deste jogo, a fim de preservar a integridade física deles mesmo fora das unidades da Rede.
SECRETARIA MUNICIPAL (RECIFE) - A Secretaria de Educação informa que o uso de celulares e equipamentos eletrônicos em sala de aula, para fins não pedagógicos, é proibido por lei. Por isso, os alunos não podem jogar o Pokemon Go dentro das salas. Quanto aos corredores e demais áreas internas das escolas, a Secretaria está avaliando a situação para decidir se há necessidade de tomar alguma medida.
Mais informações
Hacker Club UFPE
Conecte - Educação a Distância e Inovação na Educação | Proacad
(81) 2126.8593
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